RetroSABAT>

5 séries para não morrer de tédio na quarentena

5 séries para não morrer de tédio na quarentena

Calma… eu disse calmaaa! A quarentena está desesperadora? Então não saia de casa, continue lavando as mãos com sabão, álcool em gel e tomando cloroquina (mentira, não faça isso). Mas se estiver lendo este texto que escrevi com muito carinho e isolamento, tente ler até o final e pegar estas dicas de séries muuuito bacanas.

Ah sim, todas elas têm uma característica em comum: nenhuma. Ao mesmo tempo, elas têm alguma temporada lançada neste 2020 sombrio que vos escrevo. Então não é tarde para maratonar antes de 1/3 da humanidade ser extinta, e você não ter visto algo legal nem aqui nem no além.

Castlevania


ANO: 2017
TEMPORADAS: 3

8/10

Sendo ex-integrante do RetroPlayers, como é que daria para deixar essa de fora? Afinal, Castlevania é uma franquia japonesa que sustenta grande parte dos maiores legados dos jogos eletrônicos. Basicamente, ela parte da clássica história da família de caçadores de vampiros Belmont lutando contra o Conde Drácula e seus monstrengos do inferno, que querendo ou não vão retornar para assolar o mundo… e nós queremos, claro.

A animação surgiu em 2017 no Netflix, e apesar de não ser de autoria japonesa foi bastante inspirada por animes famosos e pela arte de Ayami Kojima — que consagrou a arte da franquia a partir de Castlevania: Symphony of the Night. Além disso, foi escrita pelo experiente roteirista britânico Warren Ellis, famoso por trabalhos em HQs e séries da Marvel e DC. Também conta com a dublagem de atores como Richard Armitage (Trevor Belmont), James Callis (Alucard) e Graham McTavish (Drácula). Bom, tinha grandes chances de dar certo, e deu: inicialmente uma temporada de apenas 4 episódios se estendeu por mais 2 longas temporadas.

Apanhando e juntando vários pedaços da história dos jogos Dracula’s Curse (NES) e Curse of Darkness (PS2/Xbox), e ambientado na histórica província romena de Valáquia, o drama é muito bem escrito, várias vezes reflexivo e adiciona personagens complexos na história. Claro que fazendo jus à franquia: quando o chicote estrala, é um show de ação e efeitos visuais. Às vezes peca com o “passo lento” (o que muitos reclamam), conversas longas, clichês e um pouco de amadorismo: mas meu caros, o que mais podemos pedir? É Castlevania! E só isso é motivo suficiente para muitos fãs assistirem de cabo a rabo. Bom, eu sou chato e aprovei.

Ozark


ANO: 2017
TEMPORADAS: 3

7.5/10

O nome, que mais parece o de alguma cidade na Rússia, é na verdade um reservatório (lago artificial) real em Missouri, nos EUA. Se isso tem a ver com a história da série? Hmm… tirando que ela se passa em torno dele, pouca coisa.

Foi criada por caras que entendem MUITO bem de máfia e lavagem de dinheiro, a tal ponto que você começa a se questionar se a série não é feita por mafiosos lavando o seu dinheiro do Netflix (?). De começo você não dá muita coisa, mas se tiver paciência, Ozark aos poucos se mostra um thriller criminal que a toda temporada consegue te deixar boquiaberto e falando sozinho na quarentena com as reviravoltas absurdas.

Tudo gira em torno da família Byrde, aparentemente uma família comum e pacata de Chicago vivendo o sonho americano. Isso claro, até (não é spoiler) descobrirem que o pai lava dinheiro para um cartel mexicano, e a mãe… bom, acho que aqui já é spoiler. O que se pode dizer é que uma hora eles têm que ir para Ozark, e lá o mundo por trás do sonho americano começa a dar as caras em doses homeopáticas.

A série é encabeçada pelos atores veteranos Jason Bateman, mais conhecido por vários papéis em filmes e séries de comédia (como o excelente Arrested Development), e Laura Linney (essa com uma atuação espetacular), mas há muitas revelações. Caso tenha assistido True Detective, o clima estético sombrio e cinzento também vai te agradar. Recomendo se estiver com o coração e estômago fortes, pois o crime não só não compensa como não poupa sangue.

Vikings


ANO: 2013
TEMPORADAS: 6

8.5/10
“Valhalla - Deliverance
Why've you ever forgotten me?”

Existe algum metaleiro de verdade que não ouviu esse refrão eternizado pelo Blind Guardian? Pois então uni-vos nerds fãs de metal espadinha, história e fantasia: Vikings é obrigatório para qualquer um de vocês, e sem dúvida uma das séries mais bem-sucedidas no que trata-se de história medieval e escandinava.

Partindo das lendas e sagas escandinavas sobre Ragnar Lothbrok (algo como Ragnar “calças peludas”), um herói viking que supostamente teria sido um dos primeiros a liderar as invasões da Inglaterra e do que hoje forma a França (na época Reino dos Francos) no Século IX; o drama viking começa a ganhar forma. Assim, saindo de simples aldeias castigadas por um clima frio e severo — e esposas como a Helga de Hagar, o Horrível — em algum lugar de Kattegat (mar entre a Dinamarca, Noruega e Suécia); os vikings começaram a ganhar fama, riqueza e aterrorizar o mundo. Mas não é só isso que eles fizeram, a história é bem rica e flui com personagens fortes como sua esposa guerreira Lagertha, seu irmão Rollo, seu amigo Floki, o monge Athelstan e também seus famosos (e numerosos) filhos.

É claro, não há um consenso histórico sobre vários dos acontecimentos e personagens da série, mas a proposta de tentar remendar várias fontes, adicionar toda uma dramatização épica, fantasia e mitologia nos fatos caiu como uma luva. E talvez tudo isso fosse muito mais difícil se não pela enorme produção encabeçada pelo roteirista Michael Hirst — o mesmo de Elizabeth e The Tudors — para o canal canadense History.

Então meu caro ou minha cara fascinada por romances históricos, mitologia nórdica, batalhas épicas, tatuagens, cabelos e barbas enormes e sujos: são até agora 6 temporadas para se aventurar, e ainda tem muito mais por vir… Preciso adicionar que os figurinos são detalhadíssimos e as paisagens pitorescas? Então se ainda não assistiu, melhor que Odin não saiba!

The Midnight Gospel


ANO: 2020
TEMPORADAS: 1

9/10

Ainda não sei como descrever com exatidão a experiência existencial e surreal que é assistir The Midnight Gospel. Mas uma coisa é certa: em todo episódio eu sinto que colocaram a minha cabeça em um liquidificador e jogaram no espaço.

Concebido pelo comediante Duncan Trussell — a partir de entrevistas com personalidades famosas para o seu próprio podcast — e pelo roteirista e animador Pendleton Ward — o mesmo por trás do desenho Adventure Time (Hora de Aventura) —, The Midnight Gospel não é mais um desenho de fantasia como Adventure Time ou pretensiosamente nerd (e muitas vezes forçado) como Rick and Morty; mas um desenho muito mais adulto e livre de uma fachada que pode-se esperar no mesmo ou no próximo episódio. Psicodélico, filosófico, existencialista, brutal, cômico, inesperado e absurdo são só algumas das palavras para descrever essa experiência.

O protagonista disso tudo é Clancy: um garoto rosa de cabelos roxos, viciado em café e habitante de um trailer em uma dimensão de fazendeiros de simulação (simulation farmers). Usando um bio-computador que simula universos, seu trabalho consiste basicamente em ser um spacecaster (podcaster do espaço), viajando para esses mundos em algum avatar randômico e entrevistando os seres mais inusitados para o seu programa.

Como em um podcast, cada episódio é narrado por diálogos ininterruptos com algum personagem (sempre excêntrico) que aceite ser entrevistado. Essas entrevistas sempre acontecem em meio a um caos frenético: seja em um apocalipse zumbi; uma aventura aquática com gatos marinheiros; ou que tal um matadouro de um mundo de palhaços? Tudo isso misturado com uma animação vertiginosa e uma explosão de cores em tons berrantes. E para que a digestão fique um pouco melhor, acrescente temas que sempre tocam algum tabu cultural como drogas, morte, religião, ocultismo, perdão etc — nem o céu é o limite. 

Então se precisa de uma experiência chocante, engraçada, madura e alucinógena sem precisar sair de casa ou usar drogas, The Midnight Gospel é mosca branca nesses tempos de incerteza. Apesar de episódios relativamente curtos (cerca de 20 min cada), garanto que você vai querer voltar vários trechos e reassistir episódios inteiros só para capturar alguma coisa que escapou da primeira vez. Então é isso camarada: tenha a mente aberta e aproveite a viagem sem moderação!

Westworld

ANO: 2016
TEMPORADAS: 3

9.5/10

Essa aí é peixe grande, muito grande. Criada por Jonathan Nolan (irmão de Christopher Nolan) e Lisa Joy (roteirista de Burn Notice e Pushing Daisies), Westworld tem como principal inspiração um filme de faroeste e sci-fi homônimo de 1973. O filme, não muito conhecido por aqui, foi escrito pelo falecido Michael Crichton, a mesma mente que criou o clássico Jurassic Park. Assim como seu irmão famoso, o filme também se passa em um parque temático, mas no caso inspirado no Velho Oeste dos Estados Unidos, onde os personagens do parque são na verdade androides.

A série parte da mesma premissa, mas vai além, muito além. Passando-se em 2058, uma grande corporação chamada Delos Inc. controla um parque temático de faroeste em que os anfitriões são todos androides: sejam eles cowboys, cavalos, músicos, prostitutas, xerifes etc; e os mesmo são programados para jamais ferirem os visitantes. Dessa forma tudo é permitido no parque, desde passeios para famílias, aventuras planejadas ou não, jogos de azar e até prazeres sexuais (sim, com robôs).

Bom, até aí parece meio chato para quem não curte muito faroeste, né? Mas logo percebe-se que ela não é só uma série de faroeste: falhas imprevisíveis no sistema, segredos da história do parque e personagens bem complexos — sejam eles humanos ou androides — começam a fazer da trama algo muito intrigante, digna dos melhores roteiros de ficção científica. Lembrando que apesar de menos conhecido que o irmão mais velho, Jonathan Nolan foi o criador da excelente série Person of Interest, além de sempre estar por trás das grandes produções do irmão.

Atualmente é uma das produções mais caras da HBO, contando com um elenco como Anthony Hopkins, Ed Harris, Thandie Newton, Evan Rachel Wood e Rodrigo Santoro. Além de figurino, cenários, efeitos visuais belíssimos e uma trilha sonora espetacular. A série está na sua terceira temporada e, como é de costume da HBO, um episódio por semana é liberado para deixar você bem puto(a) esperando.

Então é isso, espero que tenha gostado das dicas para uma quarentena melhor e deixe seu comentário aí. Até a próxima! =)